A árvore bicentenária

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Bem no meio de uma praça esquecida
Uma árvore de raízes colossais,
Atravessa o tempo em solidão desmedida,
Assistindo aos espetáculos de gestos boçais.

Tronco invejoso dos ciganos! Murmura o seu lamento…
Recebe dos animais a excreção
E na ânsia de lavar-se em purificação
É pescador de presságios trazidos pelo vento!

Cúmplice dos atos mais escarninhos
Em tua sombra segredaste amores disfarçados,
Amante virgem de bêbados cansados
Nutres de mágoa o teu corpo daninho.

Ontem, escondeu-te em ti uma criança
[escapando um carinho
Pássaros se divertem entre teus galhos, fazem ninhos…
__  Árvore mãe de centenas de anéis:
São só breves afagos infiéis!

Árvore de senis histórias,
Quão penoso é seu legado!
Nunca contarás um instante de vitória,
Condenada à prisão eterna dos pecados.

Imagem de Salvador Dalí.

7 Respostas para “A árvore bicentenária”

  1. Esse poema é massa demais, viu! Se garantisse ai. rsrsrs
    =)

  2. adorável a sua árvore apesar dos usos que fizeram dela.

  3. Adoro teus poemas, baby.
    Já disse, né?

    Agora você está entre as minhas indicações literárias, etc.
    Beijos, menina querida.

  4. Repostou foi?

  5. Puxa Gabizinha. Que surpresa tive ao ler seus poemas.
    Não vou comentar agora porque eles merecem um pouco mais da minha atenção e pelo menos uma leitura a mais.

  6. Tenho que transformar esse quadro em um obra de reciclagem , Tem idéis povo ?!

  7. Mábia - João Pessoa Diz:

    ei amiga, a imagem tá muutio massa o seu poema tb!!
    muito bem feito, adorei!

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