O medo
Tenho mil temores, horrores, grupelhos
Edificados por medos e instintos.
Se se levanta o pavor em minha frente sinto
Um enorme monstro multiplicado por espelhos!
Por sua extensão cascuda desce o lume
Decifrando a agonia dos meus movimentos
E quando a asfixia está prestes a irromper a asma
Alastra-se a voz clara que a minha mente assume:
- Não penses que vem de fora para dentro
Essa tua expressão pasma
Vem do interior trépido de desconhecimento
Do arrepio de especulações que não chegam ao centro…
…. O medo é o maior fantasma! -
Nalgum lugar o fantasma do medo se recolhe
Retraído, seu corpo não está morto, apenas dorme.
E persiste na sua face adormecida e muda
O brilho salvagem do olho na órbita papuda.
Pintura de Salvador Dalí, advertência do soldado.
Janeiro 31, 2009 às 2:46 am
Esse ficou muito bom mesmo!! Eu vou tentar musicá-lo
Janeiro 31, 2009 às 2:56 am
Essa tua poesia, com toda subjetividade que lhe cabe, permite – ao menos a mim – construir uma imagem perfeita de uma espécie de… caça? Como se o medo fosse um grande bicho sempre à penumbra, prestes a atacar e não se sabe quando enfim o fará. Tem uns quês augustinianos (?) nela… Eu gostei, muito embora prefira do tipo mais clarividente. Mas tu és além disso. haha beijos.
Janeiro 31, 2009 às 2:58 am
Gabriela humilha geral, fato :~