Perto do anoitecer

Unidos os dedos mornos
Aquecem carinhos de casal pela rua deserta.
Andam com frescor, as omoplatas bem abertas
Em cada peito um coração à bordo.
Lado a lado, algo por dentro zarpa no entusiasmo,
A navegar por um mar de inquietação…
Agitando a água com veemência de paixão,
Um rio deságua no interior do corpo pasmo!
É doce como são os rios – foi ao mar em naufrágio
E só se enxerga confundir os corpos o sereno frágil!
Vai-se o casal a conhecer o amor à forma nua
Mas suas almas seguem tão sozinhas quanto aquela rua.
Pintura: La promenade, Renoir.
Janeiro 11, 2009 às 2:57 am
eu gosto assim, com paixão, emotivo!
Mas como sempre, prefiro quando é deixada a forma de lado e o artista se guia pelo sentimento.
Janeiro 17, 2009 às 3:55 pm
:~
Os últimos dois versos me fazem lembrar bastante nessa forma de ‘amor’ moderna, saca? É deplorável, daí duvidam de um amor real, o tratam com indiferença e por vezes se confunde.
No entanto, tu sabe que tá supimpa a poesia.
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:*