Tenho mil temores, horrores, grupelhos
Edificados por medos e instintos.
Se se levanta o pavor em minha frente sinto
Um enorme monstro multiplicado por espelhos!
Por sua extensão cascuda desce o lume
Decifrando a agonia dos meus movimentos
E quando a asfixia está prestes a irromper a asma
Alastra-se a voz clara que a minha mente assume:
- Não penses que vem de fora para dentro
Essa tua expressão pasma
Vem do interior trépido de desconhecimento
Do arrepio de especulações que não chegam ao centro…
…. O medo é o maior fantasma! -
Nalgum lugar o fantasma do medo se recolhe
Retraído, seu corpo não está morto, apenas dorme.
E persiste na sua face adormecida e muda
O brilho salvagem do olho na órbita papuda.
Pintura de Salvador Dalí, advertência do soldado.
