Relato de um instante torto.

Caminhava a passos amargos, como a sentir o pesar do dia. Vi, de repente, carcomida estátua carregando um semblante de horror! Meu corpo permaneceu imóvel, congelado de pavor! Quantos pensamentos distorcidos trazia aquele objeto tão estéril! Uma parte sua faltava… Para diminuir minha repugnância ou aumentar seu suplício? Continuei a caminhar, taciturno. Bem sabia: por mais horripilante que ela seja e jamais ninguém a esqueça, nunca passará de uma feia e inacabada estátua.


Imagem por Francis Bacon. (Na falta de uma estátua, coloquei uma pintura do Bacon, nada melhor para representar o horror não? Apesar dessa pintura ser até simpática.)

6 Respostas para “Relato de um instante torto.”

  1. semblante! na segunda linha! o que seria sembante?
    Você tem feito comentários de mau gosto e cheios de terceiras intenções no meu blog! sua safada! vc me paga!

  2. nuancesazuis Diz:

    Já corrigi, valeu man!
    Eu sei que vc me ama, mas vamos parar de tantas demonstrações assim! hahaha

  3. ainda acho que há sim a possibilidade de alguém, alguém como eu, meio feio e inacabado, descobrir que é mais que uma estátua.

  4. Fantástico, Miudinha!
    Essa é uma das suas melhores poesias.
    ;~~~

  5. Aprecio bastante esse estilo de texto, descritivo. Que nos faz imaginar a cena, construi-la. Ainda mais quando é feito com tanta leveza.
    Não vou discutir o belo e o feio, isso já está demodê pra caramba, mas, porra, coitada da estátua. rsrs

    bjos. =**

  6. Ou será uma metáfora? oÓ

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