Gradação Universal.

foto de solfier em 15/04/07

O vento leva a areia das planícies,
As folhas caídas do outono,
Volve-lhe entre os dedos…
O cavaleiro, erguido,
Percebe a sua realidade ilusória
Vê quanto a natureza é perfunctória
Banhada em seu perfume de vida, lívido!
O seu aroma o desperta
Trazendo uma pungente saudade
De um tempo mais vívido!

O cavaleiro, prostrado,
Olha ao seu redor…
As pedras são damas tristes,
As flores um quadro inacabado…
Então espera, esvaindo-se
O ameno adeus – sutil e eterno -
E começa a entender
Em suas horas derradeiras:
A beleza do efêmero.


5 Respostas para “Gradação Universal.”

  1. Bastante enigmática a sua expressão! Bastante “Meio Ivan” também!

  2. D. Garcia Diz:

    é…
    as meninas crescem…

    interessante essa imagem do cavaleiro.
    na batalha diária muito passa despercebido. tanto nos prendemos a um passado e muito mais corremos para o futuro. não nos damos conta das belezas do presente, do efêmero, do vão, do fútil, do vil, do marginal, do grotesco e tanto mais…

    cheiros

  3. As coisas que são evidentemente efêmeras são as mais belas. Observo símbolos perfunctórios como as flores e as borboletas e a beleza delas gritam. Elas desfalecem tão rapidamente, mas nunca a relacionamos à morte. Gostei de seu poema que traz essa visão para a vida e o cavaleiro só se dá conta disso quando está morrendo! Parabéns Gabriela, virei sempre visitar seu blog. Abraço!

  4. Talvez tua poesia, ou a mesma de modo geral, por ser livre de tal efemeridade (bela?), arrancasse do cavaleiro um sorriso.

  5. Precioso, minha flor. Palavras e rimas fluindo mais tranquilamente, gostoso de ler e sem enrolação. Preciso e precioso. Vou adicionar o teu no meu também, viu? =]

    “As flores um quadro inacabado…”

    E as flores efêmeras? :)

    Um beijão!

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